sábado, 31 de maio de 2008

Das reticências

tédio, tédio tédio
raiva de médicos
(alguém com noção do que seja uma patologia se manifeste)

indignação com os remédios
(reclame indústria farmaceutica)

e encruzilhada entre vontade e comodismo
(de novo)

do que adianta escolher, se não posso concretizar?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Da divagação

Um brinquedo torto, com todas as peças no lugar.

Um estágio de sonho que se tornou coma

Apatia, amnésia, indiferença

Cabeça no lugar, pé no chão

E nenhum suspiro em seus pulmões.

E um calor estranho em seu coração.

Novo dia, levanto sem acordar

Tudo segue, a vida continua para quem a vive

Novo dia de radiação solar invadindo cada célula

Sou só eu, ou o calor virou risco de câncer?

Sou só eu, ou o trânsito se tornou excessivo?

Sou só eu, ou tem população demais

E gente de menos?

Tudo igual, trocam as estações

Exatamente igual ao que estava antes, estático

Estática, ruído, chiado, barulho

Sou só eu, ou tem gritos em todo canto?

Sou só eu, ou tem cilindros demais?

Sou só eu, ou há um volume excessivo de conversas

E nenhum assunto?

Aberraçãozinha estranha

Com quem as pessoas já se acostumaram

Contentamento momentâneo, excitação

Vontades, planos, aspirações

E nenhuma idéia em sua mente.

E nenhuma saída do turbilhão.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Do retorno

A necessidade do método, de forma tão rigorosa, rouba do cientista a criatividade. Assim, o pesquisador se desvencilha da arte.

E o artista, quando submetido a amarras artísticas, contenções do método com que criam, também está fadado à atrofia criativa.

Como pode determinar se é conto, crônica ou poesia o livre direito de escrever até que os dedos não mais suportem, ou os pensamentos cessem? Como pode privar do pesquisador, do estudioso a liberdade da escrita, para atê-lo a dissertações e narrações detalhadamente descritivas?

O detalhamento do método artístico me é uma ofensa que atinge proporções de manipulação. A tal ponto que eu, pobre mortal que não sabe o que escreve, me vi sem idéias. E ainda pior, passei a acreditar que não as poderia ter por um tipo de determinação (ou seria deterioração) natural.

Como isso é possível, o fim da criatividade, a seca da fonte?

Quem disse que o cientista não pode ser um artista livre? Quem disse que o artista não pode ser um estudioso do método?

Preciso de minha chama novamente, precisamos todos sentir algo de verdade. Sentir por si e pelo outros ao mesmo tempo e em igual medida. Sentir que se é parte do todo, e que o todo não tem partes. É necessário sentir-se vivo, ou quando morto, sentir-se fonte de energia heterotrófica a outrem. Heterotrófica, porém sem a necessidade lingüística de ser puramente carbono, talvez possa até ser carbono, mas que seja o carbono do grafite riscando o papel.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Da tríade (ou trindade?)

Mais um dia, mais uma dúvida. Creio ser a hora de deixar de lado o instinto de guarda-costas psicológico para passar a exercer maior indiferença. Se pensar bem, de certa forma, sendo pouco mais negligente (ou melhor dizendo, menos empenhada) em alguns, talvez consiga ampliar o poder de atenção para uma maior gama de pessoas. Quem sabe, talvez, sobre até um pouquinho de tempo e disposição para enfrentar a mim mesma. É, aquela garotinha ignorada tanto tempo...a loira/ruiva/morena que há anos não encontro “em pessoa” para uma conversa franca.

Eu sei, não a deixei completamente de lado, nunca me esqueci dela. Inclusive periodicamente me dedicava a meditar e analisar seus temores, anseios e atitudes. Ok, ok sempre com uma crítica velada, mas sempre a respeitei. Ao menos que eu me lembre. A doutora... É, aquela moça que também habita esse corpo pode mediar a conversa! Pode garantir que nenhuma das duas se exceda, é parte da função dela garantir a integridade física e psicológica, não? Nada mais justo que garantir a sanidade de 2/3 da mente do corpo que ela mesma usa. Será que a guria vai aceitar me encontrar depois de tantos anos afastadas? Será que a parte “ego” vai aceitar falar com a parte “apoiadora” que nunca a ajudou?

Aguardem - senhoras, senhores e senhorita – cenas do próximo capítulo. E me emprestem um livro de psicologia que trate de múltipla personalidade. Quem sabe Freud explique.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Na falta de obra própria, uma obra de um gigante

A PROCURA DA POESIA


Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

have you?

Have you ever wished what you couldn’t have?

Have you ever dreamt what you couldn’t feel?

Às vezes sinto que pereço. Que não sou capaz de lidar com dificuldades simples da vida. Até mesmo uma tampa de vidro de azeitona me parece um desafio, por vezes inatingível. Talvez um pouco de utilidade me fizesse bem

Talvez um pouco de realização me animasse.


Apenas talvez, afinal, como posso ter certeza?


A certeza é que penso, logo existo. (Ou penso que penso, logo existo, não vou entrar no mérito filosófico.) Apenas eu penso, desejo, imagino. Logo...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

So tired

Oh God, I just want to make the right decisions,

In the right moment.

I don’t want to hurt anyone!


But I can do it in right way.


I just want to lie down


Maybe forever.


And this is all that I can do to myself now:

Only one tear.

And nothing else .