quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Do que ando produzindo

NÃO É ROMÂNTICO, NEM POÉTICO, MAS É O QUE ANDO PRODUZINDO TEXTUALMENTE. SEI QUE ESTÁ FORA DO CONTEXTO DO BLOG, MAS É O QUE ESTOU FAZENDO, FAZER O QUE? REPAREM QUE NÃO É UMA SELEÇÃO DE COPIAR+COLAR DA INTERNET. ESSE TEXTO FOI REDIGIDO A PUNHO, OU MELHOR, A DEDOS E TECLADO... EI-LO:

LINFOPROLIFERAÇÃO IN VITRO COM TIMIDINA TRITIADA

O QUE É?
É um teste imunológico que observa a proliferação dos linfócitos quando estão in vitro em meio de cultura apropriado frente ao estímulo de antígenos específicos.

PARA QUE SERVE?
O teste detecta a atividade de resposta linfocitária quando exposta a infecção, tendo por base o conhecimento de que os linfócitos, quando reconhecem um antígeno, tendem multiplicar-se, sofrendo expansão clonal e produzir anticorpos (linfócitos B) e citocinas (linfócitos T).

QUANDO PODE SER UTILIZADO?
Atualmente sua utilização é bastante restrita, sendo principalmente feito em estudos científicos para se medir a intensidade da resposta imune linfocitária à antígenos, geralmente bacterianos. Porém, pode ser amplamente utilizado comercialmente em casos de infecção recorrente, pacientes imunodebilitados ou infecções graves. Salvo a relação custo-benefício (tanto para a saúde do paciente, quanto de viabilidade econômica).

COMO FUNCIONA?
Obtém-se os linfócitos do paciente a partir da coleta de sangue periférico dele. Os antígenos que irão sensibilizar esses linfócitos podem ser obtidos a partir de uma cultura microbiológica do próprio paciente ou outras fontes (laboratórios de pesquisa por exemplo). Os linfócitos são cultivados em meio de cultura específico, rico em aminoácidos, vitaminas e outros componentes. Depois de um período de incubação são marcados por uma substância radioativa, a timidina tritiada, para então serem lidos.

O QUE É ANALISADO?
A análise se dá a partir da comparação entre a contagem dos linfócitos sensibilizados por antígeno e a amostra controle dos não sensibilizados. Os linfócitos são contados de acordo com o número de células marcadas pela timidina tritiada.
Além das próprias células, seus produtos também podem ser dosados. Os anticorpos geralmente são quantificados a partir de ensaio imunológico ELISA e as citocinas geralmente por citometria de fluxo.

QUAL É A TÉCNICA?
Inicialmente, uma amostra de sangue periférico do paciente é coletada com tubo heparinizado e centrifugados com ficoll-hystopaque a 25ºC para que, por densidade, separa as células a serem estudadas. Estas então são lavadas com salina e cultivadas em meio RPMI 1640, tomando-se cuidado extremo para evitar contaminação externa (pode-se usar antibióticos, desde que esses não afetem o antígeno que será utilizado).
O antígeno, geralmente bacteriano pode ser obtido do próprio paciente, através de cultura microbiológica de material de uma infecção dele mesmo ou de amostras de controle. Essas amostras geralmente são diluídas para que se obtenha uma proporção equivalente antígeno-linfócito.
Após um breve período de incubação as culturas dos linfócitos são separadas, ficando uma sem sensibilização por antígeno (para servir de controle) e a outra (ou outras, dependendo da quantidade de antígenos testados) submetidos ao antígeno, que pode ser derivada da bactéria completa, ou somente proteínas específicas a serem reconhecidas.
A partir de então, um novo período de incubação é realizado, levando-se em conta uma média entre as necessidades metabólicas bacterianas e linfocitárias para determinação das condições de incubação (temperatura, concentração de O2 e CO2, produtos no meio, tempo, e outras).
Então, as células são pulsadas com 1Ci/poço de 3H-timidina tritiada durante 6 horas para que a radiação seja incorporada às células. Depois são coletadas por papel filtro e depositadas em placa para adição de líquido de cintilação para serem contadas.
Os resultados são expressos em contagem por minuto e o cálculo é feito dividindo-se o valor das células sensibilizadas por antígeno pelas não sensibilizadas.
O sobrenadante não será contado junto com as células, mas pode ser analisado quanto à presença de anticorpos por método tradicional de ELISA ou quanto à presença de citocinas por técnica de citometria de fluxo ou de ELISA. Podendo ainda serem quantificados dentro das limitações das técnicas empregadas.

O QUE SE RETIRA DO RESULTADO?
A verificação da atividade linfocitária, se existente e em qual proporção, bem como a dos produtos dos linfócitos.
A partir dessa informação pode ser determinada a condição à que o paciente deverá ser mantido em relação ao tratamento e ao próprio ambiente a que ele está submetido.

RESUMINDO...
Trata-se de um teste onde são cultivados linfócitos, com e sem a presença de antígeno, para que se dose a atividade dessas células. Atividade essa que será medida a partir da interação entre essas células e o isótopo radioativo timidina-tritiada.
Tudo isso para determinar a eficácia da resposta imune frente a infecção pelo antígeno testado.

PORÉM...
Este é um teste extremamente sensível e deve ser feito com muito cuidado, pois está suceptível a muitos erros comuns, como contaminação do meio de cultura e do ambiente de incubação, falta de suprimentos essenciais a proliferação celular e bacteriana, desequilíbrio das proporções de concentração entre linfócitos-antígenos-nutrientes, e muitos outros interferentes.

APLICAÇÃO PRÁTICA
A maioria dos indivíduos infectados por Candida sp cura com terapia antifúngica. Por outro lado, episódios repetidos de infecção por Candida albicans são observados na candidíase recorrente que é caracterizada pela ocorrência de, no mínimo, quatro episódios de vaginites no período de um ano.
Estudos controversos têm sido reportados sobre a imunopatogênese da candidíase vaginal recorrente tendo algumas observações mostrado uma baixa resposta linfoproliferativa e ausência de reatividade do teste cutâneo com antígeno de Candida, detectado a existência de uma resposta do tipo 1 nesses pacientes. O principal objetivo do teste nesse caso é avaliar a resposta linfoproliferativa e a produção de IFN-g em pacientes com candidíase vaginal, e candidíase cutânea e mucosa recorrentes.

REFERÊNCIAS:
ABBAS, Abul K.; LICHTMAN, Andrew H.; PILLAI, Shiv. Imunologia Celular e molecular. Tradução de Alessandro dos Santos Farias, et al. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2008.
CARVALHO, Lucas P. et al. Avaliação da resposta imune celular em pacientes com candidíase recorrente. Revista da Sociedade Brasileira de medicina Tropical. 36(5): 571-576, set-out, 2003.

ORDWAY, Diane J. et al. Aumento da produção de IL-4: Resposta ao Mycobacterium tuberculosis virulento em doentes com tuberculose em estádio avançado. Acta Med Port; 18: 27-36. 2005.

Acesso em: 22/10/2008.

Um comentário: